segunda-feira, 23 de abril de 2012

O amor da minha vida

Amanda era uma menina diferente das outras, seu sorriso era encantador, seu olhar era radiante, era uma menina linda, e adorava ler. Como todos os outros dias, ela acordou, abriu a janela e ficou admirada com a beleza do sol, e ficou durante um bom tempo observando aquela linda paisagem […] logo depois tomou um banho, se arrumou, e como de costume pegou um livro e pôs na bolsa.
— Amanda?
— Oi mãe?
— Venha tomar seu café, se não ele vai esfriar.
— Que horas são?
—Sete e meia.
— Nossa, já estou atrasada, tenho que ir. (ela sai correndo)
— Mas minha filha você nem tomou … seu café.
Ela corre, pega sua bicicleta e vai em rumo a sua escola. Chegando lá sem querer ela esbarra em um garoto.
— Você deveria olhar por onde anda.
—Me desculpe, é que estou perdido, sou novo aqui, deixa que eu junto suas coisas.
—Obrigada. Nossa, como eu sou grosseira, me desculpe você, é que estou atrasada e você deve saber como é, o que você deve estar pensando de mim depois disso?
— Que você é simpática.
— Depois dessa minha grosseria? Tem certeza que me acha simpática? (risos)
— Sim (risos)
(Eles ficam em silêncio)
— Bom eu tenho que ir, como você percebeu eu já estou bastante atrasada, foi um prazer te conhecer e me desculpe pela grosseria.
— O prazer foi todo meu, mas espere.
— Oi?
— Você não me disse seu nome.
— Amanda. Ela sorri
— Amanda? Que nome lindo, prazer Enzzo.
— Me desculpe, agora tenho mesmo que ir, depois nos falamos.
— Tudo bem. Ele sorri.
Ele fica observando-a até ela entrar na sala e pensa “Como ela é linda, e aquele sorriso? E aquele jeito encantador?”
 — Rapaz?
Enzzo não fala nada.
 — Rapaz?
 — Sim? Me desculpe estava meio distraído.
 — Percebi. Posso ajuda-lo? Sou orientador daqui.
 — Sim, claro, me chamo Enzzo, sou novo aqui, e até agora não consegui encontrar minha sala.
 — Venha cá, vou te mostrar.
O orientador leva Enzzo até sua sala.
 — Pessoal, esse é o Enzzo, ele é novo aqui na escola, e de agora em diante vai estudar aqui com vocês.
 — Oi Enzzo. Diz a turma.
 — Olá pessoal. Diz Enzzo meio tímido.
Enzzo se senta em uma cadeira e tenta prestar atenção na aula, mas ele só tenta, pois seu pensamento só está ligado a Amanda, ele não para de pensar nela um minuto se quer.
Bate o sinal pro intervalo, Enzzo sai da sala, e vai procurar Amanda, andou a escola toda mas nenhum sinal dela, então toca o sino pra voltar pra sala, Enzzo caminha devagar em direção da sala, meio triste por não ter visto Amanda. Até que alguém esbarra nele.
 — Me desculpe, estava distraído e não vi você. Diz Enzzo
 — Eu que peço desculpa, como eu sou desastrada.
 — Amanda?
 — Enzzo? (risos) Só assim mesmo pra gente se encontrar.
 — Ela sorri. Tenho que ir.
 — Como sempre, você apressada. Ele sorri.
 — Me desculpe, agora tenho mesmo que ir.
Enzzo pensa alto “Como eu sou idiota, devia ter chamado ela pra sair”. Então ele vai pra sala, e como antes, só pensava nela.
Passadas algumas horas, o sino para o término da aula bate. E Enzzo vai embora. Chegando em casa ele toma um banho, almoça, e vai para o seu quarto, pega um livro e tenta ler. Ele escuta um  barulho de música alta.
 — Mariana, abaixa esse som. Ele grita.
Mariana, sua irmã, não ouve nada, até que ele resolve ir a biblioteca da cidade, pois lá ele vai conseguir ler seu livro.
Ele vai a biblioteca, senta em uma das mesas e começa a ler seu livro, até que chega alguém e pergunta:
 — Posso me sentar aqui? Não há lugar nas outras mesas.
 — Enzzo reconhece a voz e rapidamente olha pra ver quem era, e pra sua felicidade, era a doce e adorável Amanda. Ele olha pra ela, sorri e diz “Claro”.
 — (ela sorri) Que coincidência, você por aqui.
 —Ele sorri.
Amanda se senta e começa a ler, e sem deixar ele perceber fica olhando pra ele por um tempo.
Ele puxa assunto:
 — Vai fazer o quê hoje a tarde?
 — Nada programado pra hoje.
 — Que tal darmos uma volta?
 — Seria maravilhoso.
Eles saem da biblioteca e caminham, sem rumo, até que decidem ir a uma lanchonete ali perto, eles se sentam e começam a conversar.
 — Então, você é novo na cidade? Pergunta Amanda.
 — Sim, cheguei aqui faz uma semana, meu pai teve que ser transferido pra cá, daí eu e minha família viemos pra cá.
 — Ah sim.
 — E você? Sempre morou aqui?
 — Não, mas moro aqui desde meus 3 anos.
 — Ah bom.
(Silêncio)
 — Então, namora a quanto tempo?
 — Eu? (risos) não tenho namorado.
 — Como assim? Uma menina tão linda como você não tem namorado?
 — Acontece né?
 — Ele sorri.
 — E você, tem namorada?
 — Não. Ele abaixa a cabeça.
 — Não esquenta, logo você vai achar o amor da sua vida.
 — Acho Que já achei.
 — Bom pra você. Ela sorri.
 — Tenho que ir, já está um pouco tarde.
 — Deixe que eu te acompanho até sua casa.
 — Não precisa.
 — Será um prazer.
 — Está Bem.
Ele a deixou em casa e foi pra sua casa, que não era tão longe dali, e ficou pensando nela, como sempre.
Passaram-se dois anos, e a cada dia que passava eles se tornavam grandes amigos, ou melhor, melhores amigos.
Apesar de tanto tempo, Enzzo continuava apaixonado por Amanda, mas o medo de não ser correspondido era grande, e ele tinha medo de atrapalhar a amizade deles. Mas Enzzo não aguentava mais guardar aquilo só pra ele, ele tinha a necessidade de falar o que sentia pra Amanda, até que ele ligou pra ela.
 — Alô.
 — Amanda?
 — Oi Enzzo, tudo bem?
 —Tudo, e com você?
 —Tudo ótimo.
 — Preciso te falar uma coisa.
 —Ué, fala.
 — Mas tem que ser pessoalmente. Pode me encontrar na praça aqui perto, daqui uma hora?
 —Ta ok. Nos vemos lá.
Enzzo tomou banho, se arrumou, e foi pro lugar que marcou com Amanda.
Passaram uma hora do combinado, duas, e Amanda não chegava, até que ele resolve ligar pra ela, mas o telefone dava desligado. Ele foi até a casa dela, bateu palma, mas não havia ninguém, então triste, resolveu ir pra casa. Chegou, foi pro seu quarto, deitou na coma e ficou pensando “será que aconteceu alguma coisa com minha pequena?”
O telefone toca, era Pedro irmão de Amanda.
 — Oi Pedro, tudo bem?
 — Cara, não tá nada bem.
 — O que aconteceu?
 — Enzzo, você precisa vir aqui no hospital, esse que tem perto de casa, vou te esperar aqui na frente.
 — To indo.
Enzzo fica ainda mais preocupado, sai correndo em direção do hospital. Chegando lá encontra Pedro.
 — E então cara o que aconteceu? Por quê você me chamou aqui?
 — Véi, a hoje a Amanda estava atravessando a rua, ela tinha ido te encontrar … Ele chora.
 — Me fala, o que aconteceu pelo amor de Deus.
 — Um carro atropelou minha irmã, e ela tá em coma.
 Escorre uma lágrima dos olhos de Enzzo.
 — Cadê ela? Eu preciso ver ela, quando ela vai acordar?
 — Cara, você precisa ficar calmo.
 — Calmo? O amor da minha vida tá em coma e você quer que eu fique calmo? Eu preciso ver ela, me leva pra ver ela por favor cara.
 — Está bem, vamos lá.
Eles chegam no quarto que Amanda, e lá estava a mãe e o pai dela, Enzzo chega perto dos pais de Amanda, e os abraça.
 — É tudo culpa minha. Diz Enzzo.
 — Meu filho, não se culpe, a culpa não foi sua. Diz a mãe de Amanda.
 — Quando ela vai acordar? Pergunta Enzzo.
 — Ela precisa de um coração, o nome dela está na fila para o recebimento de órgãos, só Deus sabe quando ela vai acordar. Diz o pai de Enzzo.
  — (Enzzo continua chorando)
Os anos foram se passando, e nada de Amanda sair do coma, mas Enzzo ia todos os dias vê-la, antes e depois da aula, e ficava horas e horas olhando pra ela, mas ele não aguentava mais ver sua amada naquela cama de hospital, não aguentava mais ver a angústia dos pais e do irmão de Amanda, até que resolve fazer alguma coisa pra acabar com isso.
 — Preciso ir. Diz Enzzo.
 —Está bem, vá com Deus meu filho. Diz a mãe de Amanda.
 — Ele sorri.
No dia seguinte a mãe de Enzzo acorda e percebe que Enzzo ainda não tinha levantado, ela estranhou, pois ele sempre acordava muito cedo para ir ver Amanda no hospital. Então ela bate na porta do quarto dele e tenta acordá-lo.
 — Enzzo?
Ele não respondia.
 — Meu filho?
Silêncio.
 — Já é tarde, levanta logo se não, não dá tempo de você ver a Amanda antes de ir pra escola.
Enzzo não acordava.
A mãe de Enzzo abre a porta e começa a balançar ele com o objetivo de acordá-lo.
 — Filho, acorda.
Então ela percebe que ele não está respirando. Ela desesperada, chama seu marido e eles levam ele pro hospital. Chegando lá eles passam um bom tempo esperando.
Até que o médico aparece.
 — Então doutor, meu filho está bem?
 — Sinto muito, fizemos de tudo pra ele sobreviver, foi detectado vários tipos de venenos em seu corpo, e ele não resistiu.
A família de Enzzo se desespera, e todos choram.
Ao chegar em casa a mãe de Enzzo vai no seu quarto, e em cima da cabeceira da cama dele, acha dois envelopes. Um deles dizia “para meus pais, e minha irmã” o outro dizia “Para o amor da minha vida”.
A mãe de Enzzo chama sua filha, e seu marido e começa a ler a carta em voz alta:
“Pai, mãe, Mariana, desculpa, talvez vocês nunca vão me perdoar por ter feito isso, mas foi preciso, eu não aguentava mais ver o amor da minha vida naquela cama de hospital sem saber o que fazer para acordá-la, sem saber o que se passava pela cabeça dela. Ela é o amor da minha vida, vocês sempre souberam disso, todo mundo sabe disso, mais ela ainda não teve a oportunidade de saber. Ei, eu amo vocês, e sempre vou está presente aí, me suicidar foi a melhor coisa que eu fiz, pois já não aguentava mais esse sofrimento. Eu queria pedir uma coisa pra vocês, quero que façam algo que eu não poderei fazer, sabe meu coração? Ele só batia por ela, pela Amanda e eu sei que ela está precisando dele, quero que doem meu coração pra ela, e quero que sempre lembrem de mim quando verem ela sorrindo, após ela acordar, e também quero que entreguem a outra carta pra ela, Grato. Se cuidem, fiquem com Deus, eu amo vocês.”
Eles foram rapidamente ao hospital e fizeram o que Enzzo pediu. No dia seguinte Amanda acordou, mesmo com a vista um pouco embaçada reconheceu todos que estavam lá.
 — Mãe, Pai, o que aconteceu?
Todos começam a chorar, de felicidade, e de tristeza ao mesmo tempo, pois apesar de Amanda ter acordado, eles perderam alguém muito especial.
 —Filha, há dois anos atrás você sofreu um acidente e entrou em coma.
Amanda olha pro lado e vê os pais de Enzzo e a irmã. Então ela pergunta:
 —Cadê o Enzzo?
A mãe de Enzzo entrega a carta pra ela, ela abre e lê a carta somente pra ela, na carta dizia:
“Ei dorminhoca, já é hora de acordar não acha? Bom, eu não vou poder ir te ver hoje, e talvez você não vai me ver durante um bom tempo. Você sabe que a hora de todo mundo chega não é? Pois é, e a minha hora chegou, ninguém esperava por isso, mas foi preciso eu partir. Sabe o que eu iria te falar quando marquei aquele encontro? Eu ia te dizer que você é o amor da minha vida, que desde aquele dia que você esbarrou em mim, meu pensamento só estava ligado a você, sempre, a todo instante. Eu prometi pra mim mesmo que sempre iria te proteger, sempre iria fazer de tudo pra te ver bem, que eu sempre iria estar do teu lado quando você precisasse, me perdoa por não está do teu lado agora, mas é que eu não aguentava mais te ver nessa cama, sem saber o que se passava direito com você, e eu tive que resolver isso, foi melhor pra você, foi melhor pra mim, foi melhor pros seus pais, e então eu resolvi dar um fim nesse sofrimento de todo mundo, e aliás meu mundo não tinha mais sentido, pois eu não podia ver ter sorriso lindo, teu olhar encantador […] Então, agora eu tenho que ir, amanhã eu não vou poder  te acordar, me desculpa, mas meu amor, minha pequena, minha princesa se cuida, cuida desse coração que só batia por ti, que era cheio de amor por ti, só te peço que nunca esqueça de mim, eu sempre vou está contigo tudo bem? Ps:Eu te amo, como jamais amei ninguém.”
Uma lágrima escorreu pelo seu rosto, então ela abraçou os pais e a irmã de Enzzo, e logo após abraçou seus pais e seu irmão. Amanda viveu durante muito tempo, apesar de tudo ela sempre estava feliz, por quê afinal, o coração do seu melhor amigo e de quem mais a amava, batia dentro dela.

Ana Luiza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário